segunda-feira, 26 de julho de 2010

O ROTEIRO IMPOSSÍVEL

O ROTEIRO IMPOSSÍVEL

Fonte:  http://www.telabr.com.br
É difícil precisar, no caso do documentário, o processo de criação que antecede as filmagens. No caso dos filmes de ficção, é mais exato: quase todo filme de ficção tem um roteiro. As filmagens partem desse guia e, ainda que aconteçam algumas modificações, a ideia central do filme e sua narrativa estão definidas antes da chegada da equipe no set.

Com o documentário não funciona bem assim. Geralmente existe uma ideia, e essa ideia, ainda em estado abstrato, vai definir os primeiros passos a serem tomados para a realização do filme. É quase impossível escrever um roteiro preciso para fazer um doc antes de filmar.

Um documentário pode partir, por exemplo, de uma frase: "acompanhar o Lula durante quarenta dias, até a eleição"
(Entreatos). Ou "fazer um filme sobre violência no Rio de Janeiro, ouvindo as pessoas que estão diretamente envolvidas nessa violência: o policial, o morador da comunidade violenta e o traficante" (Notícias de uma Guerra Particular). Ou ainda "saber como é a cabeça e como é o mundo do pianista Nelson Freire" (Nelson Freire).

Todos os filmes citados no parágrafo anterior são do documentarista João Moreira Salles. E todas as frases foram o ponto de partida, foram os "roteiros" escritos por ele antes das filmagens. A partir dessas ideias, foi feito um planejamento de produção. Entrevistados foram escolhidos e contatados. Equipe e equipamentos de gravação foram definidos.

A estrutura narrativa de cada um dos filmes também não respeitava nenhum roteiro exato antes das filmagens e da montagem. João Moreira costuma definir a estrutura narrativa de seus filmes por meio de formas metafóricas: "
Entreatos é uma flecha. O que significa uma flecha? Que o tempo avança. O filme vai acompanhar a flecha do tempo. Começa no primeiro dia de filmagem e termina no último dia de filmagem". "Em Notícias de uma Guerra Particular, à medida que fui entrando em contato com a violência, surgiu na minha cabeça a forma circular. O filme se fecha em si mesmo. Ele não vai apontar nenhuma saída. É como uma cobra que morde o próprio rabo". "No caso do Nelson Freire, o que me veio foi a ideia de um filme sem estrutura nenhuma. Molecular. Em que uma sequência não gere a próxima. Não é a lógica da razão. É um filme de estrutura líquida, ao contrário do Entreatos".

É importante, ao sair para realizar um doc, ter domínio do tema a ser tratado. Pesquisas são bem importantes. Buscar ideias que possam nortear a narrativa do filme também. Afinal, andar por aí com uma câmera ao acaso, sem rumo, dificilmente vai gerar um material interessante, que possa ser montado. Como essa espécie de "pré-roteiro" para o doc vai ser escrita é outra história. Pode ser uma frase, uma sinopse de uma página ou uma tese a ser confirmada ou rechaçada. Cada realizador tem seu próprio método. A única certeza é que é na ilha de edição, com tudo filmado, que um documentário ganha o tratamento definitivo de seu roteiro.

Texto: Henry Grazinoli
Consultoria de Conteúdo: João Moreira Salles

2 comentários:

Olá!
meus parabéns pelas dicas que vcs propocciona aos cinegrafistas anadores ex. eu olha valeu de coração já estou pensando em fazer um video de curtametragem.


Carlos Melo
futuro cinegrafisra diretor.

ElianeArieira disse...
16 de abril de 2016 08:30
 

Adoraria fazer um documentário sobre a vida da minha mãe que completa em junho 100 lucidos e saudaveis anos. Além de ser super interessante, resgataria muitas surpresas. Infelizmente não tenho esse dom. Procuro quem me ajude, se identifique conosco e com nossas possibilidades (no RiodeJaneiro)